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Nas Terras do Saci

Por
13/03/2011
En Allan Robert
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*

Allan Robert P. J.

Os anos sessenta foram tempos duros. Lembro que minha mãe mandou-nos para a casa dos nossos avós, em Itaquira, um lugarejo perdido entre Macaé e Campos, no interior do Rio de Janeiro. O único modo de chegar em Itaquira era de trem e o trem só parava ali uma vez por dia. Se houvesse necessidade de sair em horário diferente, precisaria ir até Carapebus, um vilarejo pouco maior que Itaquira e algumas horas de distância a cavalo.

A casa da minha avó ficava próxima à linha do trem, que servia de estrada para nossas caminhadas até a escola. Antes da aula, porém, eu e meu irmão Cecil íamos até a fazenda vizinha pegar leite, e ele aproveitava para provocar a vaca vermelha, obrigando-a a correr atrás dele. E ele, gargalhando, driblava os chifres da vaca. Depois, leite quente, pão caseiro com manteiga idem, aipim, farofa de gergelim socada no pilão, um gole do café ralo típico da região e escola. O trilho do trem cortava o interminável canavial. Nos passeios de trem com minha avó, eu sentava na janela e observava o que parecia ser um imenso mar verde, ondulante sob o vento.

Pois bem, é em Itaquira que mora o Saci. Um negrinho de uma perna só, com um barrete vermelho e um cachimbo de barro na boca. Adora estripulias como destelhar casas e assustar os animais. O seu sinal é o vento: se o canavial atrás da gente começa a balançar, não se deve olhar pra trás, ou o danado nos joga no chão com um tapa na cara. O único modo de capturar um saci é jogando uma peneira na base de um redemoinho e, com cuidado, colocá-lo dentro de uma garrafa. Mas o tinhoso é ágil e não se deixa apanhar. Meu avô me deu uma peneira, fingindo não saber que era pra pegar saci, pois ele era contra essa convivência estreita com as lendas e superstições. Creio que a peneira ficou por lá, quando ele vendeu a fazenda para ir morar em Macaé. Quem sabe alguém conseguiu engarrafar um saci com ela. Quem sabe…

Noutro dia fui à reunião na escola da Luiza. Os elogios de sempre, uma rasgação de seda com os resultados e o comportamento responsável da menina, um sincero orgulho das professoras pelo privilégio de tê-la como aluna, e toda aquela ladainha que fazem quando se referem à melhor aluna da classe. Nada disso desviou-me do meu objetivo: falar com a professora que ela havia sobrecarregado a Luiza de responsabilidades, provocando ciúmes nos outros alunos.

Mas como afrontar a fera? Ela é daquelas pessoas que se altera quando fala, esbugalha os olhos pra fora, gesticula e dispara a falar numa velocidade de deixar locutor de futebol de boca aberta. E mudo. Além disso, meu irmão Cecil nem está por perto para ensinar-me como driblá-la. Bom, a técnica usada foi a de sempre: jamais dizer qualquer coisa que possa soar como cobrança ou agressão, o que só provoca reações defensivas e não resolve o problema. O truque é sorrir sempre e criar uma situação onde o outro assuma a responsabilidade de resolver o problema, como um salvador da pátria.

Expliquei a ela que a menina tem o hábito de assumir responsabilidades (não, não é culpa da professora se ela apaga a lousa, vai chamar a bedel, ou auxilia os colegas quando a professora pede, é ela que é assim) e que isso estaria provocando uma reação no resto da classe. Esclareci o quanto me sinto impotente para resolver o assunto e de não ter a mesma experiência de uma professora com tantos anos de bons serviços prestados. Arranquei dela a promessa de uma especial atenção para o problema, além do compromisso de utilizar também os outros alunos para as pequenas tarefas em classe.

Saí de lá com a certeza de ter falado com a pessoa certa. A professora que deixei, sentia-se dona da responsabilidade e única capaz de resolver todos os problemas, ajudando um pobre pai preocupado com a saúde emocional da própria filha, sob o sorriso cúmplice da professora de italiano, que piscou-me o olho na saída.

Nestes dias tem ventado muito. Pensei que fosse somente em Piacenza, mas a televisão informou ter ventado forte em toda a Itália. As bicicletas – a algumas lambretas – foram jogadas ao chão, sobre as calçadas. As poucas folhas das árvores neste fim de Inverno sendo varridas de um lado para outro, uns poucos redemoinhos. Casas destelhadas, animais assustados e alguém que me assoprava o fogo do isqueiro, impedindo-me de acender o charuto. A temperatura não era das mais baixas, mas o vento gelava tudo.

Saí da escola com o capote fechado, olhos de camelo protegidos pelos óculos escuros. Repassando a conversa com a professora, observei os pequenos redemoinhos que giravam as folhas, como meu irmão que ria enquanto driblava a vaca vermelha. Imaginei o sorriso do negrinho, quando vi o policial italiano sair correndo atrás do quepe.

Ah…!

Que falta me faz a minha peneira.

**Allan Robert P. J., carioca de nascimento, tem 51 anos, viveu em Embu (SP) por quase duas décadas e lá se casou com Eloá, em 1987. Mudou para Salvador (BA) onde estudou Economia e o casal teve duas filhas. De lá, foram para a Itália, onde vivem atualmente. Allan é micro empresário do ramo automotivo, e Eloá trabalha no ramo de alimentação. Ambos têm raízes (amigos e parentes) na ‘ponte’ Embu-Assis-SP. Allan é irmão dos advogados Bruce P. J. e Dawidson P. J., radicados em Embu. Dawidson já foi do primeiro escalão da Assessoria Jurídica da Prefeitura de Embu no governo Geraldo Puccini Junior (1993-96), e ambos já participaram da diretoria da subsecção da OAB de Embu”.

Tags: AllanAllan RobertVitor da Trindade
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