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O Poder Coercivo Do Estado

Allan Robert P. J.

 

– Dotô, cheguei da Sicília ontem e descobri que eu murrí.

– Como eu o estou vendo vivo e ainda não fiquei caduco, explique-se.

– Parece que teve um acidente aí e o fulano tinha um documento meu e morreu…

– Como é que esse fulano tinha um documento seu?

– Sei lá, dotô! Só sei que enterraram o ômi aqui em Cremona como se fossi eu, mas eu tô aqui, vivim da silva. Só que sem documento, e sem documento nesse mundo de meu Deus ninguém pode ficar.

– Vai ter que providenciar um atestado de vida…

– Num pode dar o sinhô mesmo?

– Não. Tem uma série de procedimentos que a lei exige para provar que o senhor é o senhor mesmo.

– Mas… Dotô! Se eu tô aqui e o sinhô tá mi vendo, por que tem que esperar? O sinhô, digo, o dotô não acredita que eu tô vivo, não?

– Não é isso, é que existem esses procedimentos…

– E até lá eu tô morto?

– Não, o senhor está vivo, mas é como se fosse morto. Ao menos até provar que está vivo.

– Então eu posso sair por aí e aprontar, roubar, matar…?

– Pode, aliás, isso facilitaria as coisas. Era só mandar esse agente de polícia dar um tirinho no senhor e estaria tudo resolvido. Ele nem seria processado, o senhor já está morto mesmo. Me evitaria um bocado de burocracia…

– DOTÔ! EU SÓ QUERO MEUS DOCUMENTOS!

– Infelizmente vai ter que esperar a questão burocrática ser resolvida. É a lei.

– E se eu der uma banana pra lei, assim ó…

– Agente! Prenda este homem por desacato à autoridade!

– E que nome o dotô vai usar pra registrar minha prisão? Vai prender quem? E se me mandarem pra Trieste ou pra Nápoles? Como o dotô vai me achar lá dentro depois, hein?

– Agente, leve este cidadão ao serviço de assistência social. Se ele voltar aqui, atire nele. Na volta, me traga uma aspirina.

 

 

**Allan Robert P. J., carioca de nascimento, tem 51 anos, viveu em Embu (SP) por quase duas décadas e lá se casou

com Eloá, em 1987. Mudou para Salvador (BA) onde estudou Economia e o casal teve duas filhas. De lá, foram para a Itália, onde vivem atualmente. Allan é micro empresário do ramo automotivo, e Eloá trabalha no ramo de alimentação. Ambos têm raízes (amigos e parentes) na ‘ponte’ Embu-Assis-SP. Allan é irmão dos advogados Bruce P. J. e Dawidson P. J., radicados em Embu. Dawidson já foi do primeiro escalão da Assessoria Jurídica da Prefeitura de Embu no governo Geraldo Puccini Junior (1993-96), e ambos já participaram da diretoria da subsecção da OAB de Embu”.

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